Resumo histórico da Associação save

Dedicação e Coragem ao Serviço da Comunidade

Heróis do Fogo e da Vida

No dia seis de novembro de 1915, a convite do cidadão José Rodrigues da Costa Lemos reuniram-se José Mendonça Gouveia, Pedro de Almeida, José Marques de Matos e José Soares de Loureiro.

José de Lemos propôs que se constituíssem em Comissão Promotora da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão.

As reuniões vão-se sucedendo alternadamente nas moradas dos membros da Comissão e é em janeiro de 1917 que a Comissão decide contactar uma firma do Porto, Machado Júnior, com a qual faz um contrato para a aquisição de material de combate a incêndios. Desse contrato faziam parte um carro bomba (Pronto Socorro) que seria o primeiro da Corporação.

Após várias idas ao Porto, José de Lemos consegue a intermediação da Firma Jaime Augusto Soares e Irmão e esta mesma firma vai responsabilizar-se e construir a bomba W2, caldeira de ferro para duzentos e cinquenta litros, duas escadas de ganchos, quatro lanços de escadas, doze machados de cinta, doze molas de segurança, vinte e quatro molas para espias. O restante material deveria ser fornecido pela firma Machado Júnior, o que não se vem a efetivar. Lê-se hoje na bomba braçal, entretanto recuperada, “OfficinaMechanica, Jayme Augusto Soares, 59, Rua dos Caldeireiros, 61, Porto”. Ao mesmo tempo, a Comissão vai alugar a Bonifácio Gomes dos Santos uma loja à beira da estrada nacional, na Rua de Santa Columba, para instalar o material de incêndios, pagando anualmente 10$00 de renda.

A constituição do primeiro corpo ativo teve lugar no dia 6 de abril de 1918, em reunião realizada no teatro Alves Mateus. Este corpo ativo durou apenas quatro meses e dele faziam parte Duarte Augusto Boto Machado, João Ferreira Onofre, comerciante, José Joaquim de Castro, industrial, Manuel Gomes de Morais, comerciante, Hilário Fernandes, sapateiro, José da Conceição Coelho, carpinteiro, António Fonseca Oliveira, alfaiate, Abel Ferreira de Sousa, António Marques da Costa, António Martins dos Santos, comerciante, José Pinto de Sousa, sapateiro, e Abel Gomes Prata, alfaiate. Todos aceitaram fazer parte do corpo ativo e efetivo dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão e foram eleitos por escrutínio secreto o comandante e o segundo comandante José Joaquim de Castro e António Martins dos Santos, respetivamente. Foi enviado convite aos Bombeiros Voluntários de Coimbra para dar instrução ao corpo ativo, que ficou a cargo de José Simões Pais. A primeira instrução foi dada no pátio do Teatro Alves Mateus. Segundo a imprensa local em maio de 1918 “dá-se a primeira atuação dos bombeiros com o carro bomba num incêndio na habitação do Sr. Aleixo Mendes de Almeida, professor nesta vila e residente no bairro das Lages”.

A 3 de agosto do mesmo ano, foi constituída a Assembleia Geral, no Teatro Alves Mateus. Com a presença de José Rodrigues da Costa Lemos, José Soares de Loureiro, José Marques de Matos, membros da direção e mais José Joaquim de Castro, Hilário Fernandes, António Fonseca Oliveira, Manuel Gomes de Morais, sapateiro, José da Conceição Coelho, Francisco Marcelino, carpinteiro, Luís Alves, carpinteiro, João dos Santos Castro, funileiro, Abel Gomes Prata, José Varela, João de Azevedo e António Antunes de Almeida, foi constituído o novo corpo ativo, bombeiros definitivamente inscritos, em virtude de outros inscritos em 6 de abril não terem comparecido à Assembleia, alegando “razões de escusa” para não fazerem parte do corpo ativo. Procedeu-se à eleição, por escrutínio secreto, do subcomandante, tendo sido eleito Hilário Fernandes. José Joaquim de Castro mantem-se comandante desde a primeira reunião, e foram eleitos Manuel Gomes de Morais para chefe de bomba, José da Conceição Coelho para primeiro agulheta e Luís Alves para segundo agulheta. A 30 de setembro, a Assembleia reúne para inscrever como bombeiros Demétrio Augusto Duarte e Francisco Coelho para substituição de um bombeiro excluído, José Varela, e de João Ribeiro de Azevedo que não compareceu aos exercícios.

A comissão promotora passa a ser designada de Direção a partir da Assembleia Geral de 3 de agosto. É aprovado o Regulamento do Corpo de Bombeiros no dia 25 de dezembro de 1918, mandado imprimir na Typografia da Beira, de Santa Comba Dão. Este Regulamento remete para alguns dos artigos dos estatutos não se referindo no entanto à finalidade da Associação. Ficámos a saber que o corpo de bombeiros é constituído pelo comandante, um subcomandante, um chefe de bomba, dois agulhetas, um clarim e seis bombeiros. Admitem-se ainda bombeiros que se designarão por auxiliares que passarão ao corpo ativo quando surgir uma vaga. Este Regulamento alerta ainda para “a severa disciplina dos associados do corpo ativo” e ainda “pela conservação e limpeza do material”. Haverá um exercício geral “todos os quartos domingos de cada mez”. O artigo 9º estabelece “que se poderá formar uma banda de música”, denominada Banda dos Bombeiros, “sempre que as circunstâncias o permitam”, remetendo para o artigo 56º dos Estatutos. De referir que este Regulamento entra em vigor antes da aprovação dos Estatutos pelo Governo Civil de Viseu, o que acontecerá a 19 de maio do ano seguinte.

A 26 de dezembro dá-se um volte face no comando da corporação. José Joaquim de Castro por razões pessoais apresenta o pedido de demissão do cargo de Comandante. A Assembleia tenta demovê-lo mas a decisão está tomada. José de Lemos que preside à reunião, agradece a dedicação de José de Castro e logo se nomeou comandante interino Hilário Fernandes. Foram inscritos como novos bombeiros Alberto Boto Machado e Abel Ferreira.

A 24 de maio entra para bombeiro Sílvio Gomes dos Santos e fica estabelecido que se fará um exercício na primeira quarta-feira de cada mês e nota-se aqui uma primeira alteração ao Regulamento.

A 21 de outubro de 1919 são inscritos António Ferreira Onofre, Álvaro Gomes dos Santos e António Augusto Alves Figo para substituírem Francisco Marcelino, José da Conceição Coelho e Demétrio Augusto Duarte. Estes pormenores que aqui descrevemos têm como

objetivo mostrar o quanto era difícil a José de Lemos e ao comandante interino Hilário Fernandes manter um corpo ativo disciplinado que comparecesse a todos os exercícios e outras obrigações para as quais vários Santacombadenses se voluntariaram. Não será alheio o facto de o país viver uma situação política muito volátil, havendo vários grupos rivais de republicanos e monárquicos, fenómeno que se manifestava também em Santa Comba.

A 14 de dezembro, em segunda convocatória, são eleitos os órgãos sociais, com a presença de doze sócios. Para a Assembleia Geral, foi eleito Presidente, Manuel Alves Correia, Vice-presidente, José Rodrigues da Costa Lemos, Francisco Neves de Andrade, José Ferreira Regadas Júnior; para a Direção foi eleito Presidente o Dr. Luís de Oliveira Massano, Tesoureiro, José Soares de Loureiro, secretário, José Marques de Matos; Vogais, José Borges da Gama Júnior e Bonito Pereira Cardoso. Como substitutos ficaram José Correia dos Santos, José Rodrigues dos Santos e Pedro de Almeida. Para o Conselho Fiscal foi eleito Presidente o Dr. António Rodrigues da Costa Silveira, Vice-presidente Alfredo de Pais Paiva e secretário, José Joaquim de Carmo Pires. Como substitutos Francisco Rodrigues dos Santos, e Manuel da Costa. Estes órgãos sociais não vão funcionar, principalmente a Direção entre finais de 1919 e abril de 1922, ou se funcionaram não ficaram registos nos livros de atas. É neste ano que regressa José da Costa Lemos para reconstruir a Associação pela qual lutou desde 1915. No dia 16 do referido mês, José de Lemos aponta o facto de a Assembleia não ter funcionado por não haver número suficiente de sócios e que a direção nunca cumpriu nenhuma das obrigações a que estava obrigada por lei, deixando degradar os materiais e o corpo ativo. Nesta Assembleia são dados plenos poderes a uma comissão para lidar com os problemas da Associação e foram logo ali eleitos José Rodrigues da Costa Lemos, Abel Marques, João Ferreira Onofre, Pedro de Almeida, Manuel da Veiga Mateus e José Jorge dos Santos. Esta comissão vai pôr ordem na contabilidade, tratar e renovar o material de incêndio e apelar à reconstituição do corpo ativo. Logo no dia seguinte se reúne no Teatro e, no mês seguinte, a nova Comissão Gerente confirmou e fez nova inscrição dos bombeiros Hilário Fernandes, subcomandante, Abel Gomes Prata, João dos Santos Castro, Luís Agostinho Alves, chefe da bomba, António Ferreira Onofre, Manuel Neves e Abel Marques, funcionário público. Encarregou-se o subcomandante de recrutar mais membros para o corpo ativo. A secretaria da Comissão passou a ser no Teatro e rapidamente se angariaram 93 sócios.

Em 31 de outubro de 1922 são inscritos três novos bombeiros propostos pelo subcomandante, António Rodrigues da Costa, João Ferreira Maromba e Manuel dos Santos. Angariar fundos é a grande preocupação da Comissão Gerente. Nomeia todos os anos o cobrador das quotas, dando-lhe 10% do cobrado. Solicita permanentemente apoios à Câmara Municipal que desde o primeiro momento contribui com verbas e em julho de 1923 um subsídio de cinquenta escudos. Os Bombeiros Voluntários de Coimbra, através do Comandante João Inácio, deram instrução ao corpo ativo.

Entretanto, devido a um grande incêndio no Bairro da Estação, surge a necessidade de se constituir uma segunda secção dos bombeiros naquele local. O Bairro da Estação tinha-se tornado no pólo industrial e comercial de Santa Comba. Existiam vários armazéns, alguns deles de materiais inflamáveis. O incêndio atingiu grandes proporções porque começaram a arder “milhares de travesas” usadas na reparação da via. Só pela atitude dos Bombeiros Voluntários e da população não foram atingidas as instalações da VacuumOilCompany, mais tarde denominada Mobil Portuguesa. Este facto faz com que o Presidente escreva àquela companhia pedindo ajuda no que é atendido recebendo um donativo de 250$00. São solicitados apoios à

Companhia de Exploração dos Caminhos de Ferro, em Viseu, e a Direção da Companhia de Caminhos de Ferro da Beira Alta, com sede na Figueira da Foz, ofereceu a esta Associação 250$00. Em agosto de 1923, em casa de Manuel da Costa, no Bairro da Estação faz-se uma reunião para abrir a segunda secção de Socorros, ideia apoiada por Manuel da Costa, que ofereceu instalações para a nova bomba e restante material, e Francisco Rodrigues dos Santos. Entretanto é instalada a primeira cabine telefónica no quartel de Santa Comba, pagando o Estado dez escudos de aluguer. A Direção entrega-se totalmente ao apetrechamento da secção do Bairro da Estação valendo-se das verbas angariadas pela D. Luiza Albergaria na “Festa do Chá”, 475$85, ou dos donativos enviados pelos emigrantes como é o caso de Mariano Ferreira da Costa que envia do Congo Belga setecentos escudos para o cofre da Associação. em 1925 é feita a encomenda, a Rogério Vasco, morador na vila, daBomba 2, montada numa carreta, por quinhentos e cinquenta dólares. Chegará no mês de junho proveniente da Alemanha. Na própria bomba, que hoje se encontra adaptada ao veículo Ford V8, se lê: “Hermano Koebe, LuckenWalde, Feverwehrgerat-Fabrik”.

José de Lemos transacionou com a Câmara Municipal de Lisboa, por intermédio da Sociedade Fomento Comercial Lda., que desinteressadamente ofereceu os seus serviços, na compra de uma bomba sistema Flaud, com carro, picotas e chaves de parafusos. Estes materiais foram transportados dos Bombeiros Municipais de Lisboa até Santa Apolónia e no seu despacho se gastaram 63$50. Compraram 25 metros de mangueira, uma agulheta e um par de junções, à empresa Valada e Companhia Lda. Gastaram 476$50 e 11$15 de transporte.

Pagou-se a José Joaquim de Castro Júnior 101$00 pela pintura do material. A bomba, e respetivos acessórios,foi posta no quartel de Santa Comba e custou 2999$15. Foi uma compra em segunda mão de uma “bomba em perfeito estado”, ao Corpo dos Bombeiros Municipais de Lisboa. Como pudemos comprovar no Centro Documental dos Bombeiros de Lisboa, a Sociedade de Fomento Comercial solicitou, a 18 de fevereiro de 1925, a informação se aqueles Bombeiros Municipais “vendem algumas bombas de caldeira”, ao que o comando responde em 21 do mesmo mês, que possuem tal material mas que o assunto terá de ser tratado com o “ Sr. Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Lisboa”. A 28 de abril o Comandante Interino do Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa oficia em resposta ao Presidente da Comissão Executiva, “Acerca da solicitação feita no ofício da Associação dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão (…) que a bomba, sistema Flaud, que os mesmos

voluntários pretendem adquirir pode ser cedida, por venda (…). Que cada uma é no seu conjunto constituída por uma caldeira, com corpo de bomba, sobre o respetivo estrado que assenta numa carreta de duas rodas, com cabeçalho. Do guarnecimento faz parte dois corpos de chupadores e os seus acessórios são: uma chave de porcas e outra para chupadores e para mangueiras. (…) O preço estipulado pelos peritos, (…) é computado em Esc. 2.000$00”.

Esta Bomba, com a caldeira em cobre, de forma oval, terá sido construída na segunda metade do século XIX, nas oficinas dos Bombeiros Municipais de Lisboa

Em agosto é instalada a secção 2 do Bairro da Estação com uma bomba de caldeira, (Bomba 2), marca alemã, uma carreta de duas rodas, 2 agulhetas, 40 metros de mangueira de lona, quatro junções ligadas às mangueiras, cinco chaves diversas para parafusos, um maço de madeira de mão, uma rodilha para enrolar mangueira, um saca trapos, uma almotolia de lata e uma lata de massa. É feito um auto de instalação aos 23 dias do mês e tomam posse os bombeiros António Lourenço, Davide Costa, Joaquim Diniz, Salvador Rodrigues de Sá, José Arvelos, Francisco Arvelos, Luís Marques Ferreira e Alberto de Castro. O material foi testado na presença de muitos cidadãos.

Em 1928, em carta dirigida à Câmara Municipal, é comunicado que a Associação possui três bombas braçais. Este pormenor já se induz da referência ao pagamento da renda da “casa das bombas”, em Santa Comba visto que uma se encontra no Bairro da Estação. São, no mínimo, duas as que existem na secção. Serão as bombas 1 e 3. A primeira bomba será a W2, adquirida no Porto em 1918. A segunda bomba, tipo Flaud, foi adquirida, em segunda mão, aos Bombeiros de Lisboa em 1925 e a terceira será a bomba vinda da Alemanha, adquirida também em 1925. As bombas do sistema alemão permitiam a saída de duas mangueiras, o mesmo é dizer duas agulhetas. Este tipo de bomba, para além de ser mais eficaz, necessitava de maior rapidez de colocação de água na caldeira ou a colocação da bomba junto a um grande reservatório de água. As outras bombas tinham apenas a saída de uma agulheta, característica do chamado sistema francês. Nesta carta enviada à Câmara Municipal é solicitada a construção de um quartel para os Bombeiros Voluntários tendo em conta que o local onde se guarda o material de incêndio é exíguo, no momento em que a Associação pretende adquirir um pronto-socorro.

Na Assembleia Geral de 4 de março de 1928, convocada pela gerência, presidida pelo sócio mais idoso José Joaquim de Castro Júnior e secretariada por Rogério Vasco, são propostos para sócios honorários o Dr. José António Marques, bacharel formado em direito e João José da Cruz Pereira, Tenente da Guarda Republicana. São aprovadas as contas cujo saldo, na Caixa Geral de Depósitos é de 4 019$72. Procede-se à eleição dos corpos gerentes para o biénio 1928/29 cujos resultados são: para a Mesa da Assembleia Geral, foi eleito Presidente, Dr. António Rodrigues da Costa Silveira, secretário, Domingos da Costa Cerveira

do Amaral e secretário Henrique de Almeida Gonçalves. Para a Direção foram eleitos: Presidente, Dr. José António Marques, tesoureiro, Antonino Durães, secretário, Rogério Vasco, vogais, tenente José João da Cruz Pereira e Alfredo Pais de Paiva; substitutos, José Correia dos Santos, António Ferreira de Almeida e Pedro de Almeida; para o Conselho Fiscal, Dr. Alfredo Mendes de Almeida Ferrão, Dr. Francisco da Costa Borges da Gama e Dr. Luís de Oliveira Massano. Substitutos, António Correia Pinto, Manuel Cardoso e Duarte Augusto Boto Machado. A constituição dos corpos sociais eleitos em 1928 revela-nos que, finalmente, a sociedade Santacombadense abraçou a causa dos Bombeiros Voluntários. Pela primeira vez as profissões liberais, a burguesia mercantil, (já tinha acontecido no Bairro da Estação), e membros da sociedade mais conservadora uniram-se em redor dos bombeiros. De notar a presença de funcionários públicos que ocupavam os mais altos lugares da administração pública local, nalguns casos oriundos de outras localidades.

Em Assembleia foi decidido que as quotas pagas pelos associados “não chegavam para nada” e era preciso atualizar o seu montante, passando os sócios a pagar 1$00 e os sócios benfeitores 2$00. Nesta época faziam-se peditórios pelas povoações do concelho sendo os bombeiros acompanhados pela Filarmónica de Maio, cujo regente era então o Padre Mendonça.

A Direção decide que a Filarmónica de Maio, que se encontrava a passar por uma fase difícil, passará a intitular-se Banda dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão. Esta questão da Filarmónica não é pacífica, no entanto a de Maio foi incorporada na Associação dos Bombeiros Voluntários, sendo estes os fieis depositários do instrumental e dos fardamentos. O Dr. José de Melo Cabral, administrador do concelho em 1930, intimou todos os executantes da filarmónica a entregarem os fardamentos e instrumentos na Câmara Municipal tendo esse material sido transferido para os Bombeiros por ser “a entidade que tinha direitos e onde deveriam ser depositados”. As atas camarárias são omissas relativamente ao assunto em causa. Mas o Jornal “Santacombadense”, a 15 de julho, diz-nos que a Filarmónica foi reorganizada, entraram novos executantes e uniu-se com a Banda dos Bombeiros sendo o Regente, o Sr. António Augusto da Silva Pereira “estimado professor de Óvoa”.

A primeira bandeira dos Bombeiros Voluntários foi pintada pelo Sr. Dr. José Pereira, pai do tenente José João Pereira. Após sessão solene realizada no salão do Tribunal Velho foi benzida e hasteada no dia 15 de agosto de 1928, e os Bombeiros estrearam as fardas de grande gala, no dia da Festa Grande da Vila. Depois da bênção e dos discursos houve um desfile do corpo ativo pelas principais ruas da vila, com o seu novo fardamento, sendo acompanhado pela Banda de Aveiro. Procedeu-se a um peditório concelhio para a aquisição de uma autobomba e de todas as povoações chegaram donativos. Como a verba conseguida não era suficiente para a aquisição de um pronto-socorro foi adquirido um automóvel da marca Studbaker, em segunda mão, que se adaptou à condução de uma bomba, passando a denominar-se de Autobomba. Foi aprovado novo Regulamento da Corporação ao qual não tivemos acesso.

Em junho de 1929 é nomeado comandante o Tenente José João da Cruz Pereira, vogal da Direção, por o comandante em funções, Hilário Fernandes se ter ausentado para África. Um mês após a tomada de posse, houve um grande incêndio nos armazéns de José Dinis Pimenta, no Bairro da Estação. No qual foram conjugados os esforços das duas secções dos bombeiros lutaram para defender as casas vizinhas e a própria estação. Nesta época era frequente haver incêndios na resineira e nos armazéns de pez. Em Agosto, sabemos através do jornal Santacombadense, que “ está concluída a Auto-Bomba dos Bombeiros Voluntários desta vila”, “O Auto-Bomba esteve os dois dias dos festejos em exposição no Largo Alves Mateus”.

Em fevereiro de 1930 a Direção deliberou nomear comandante António Rodrigues da Costa e subcomandante Abel Marques.

A Direção decidiu que a chamada dos bombeiros e o sinal de alarme em caso de incêndio seriam feitas através de badaladas no sino da torre velha da Igreja Matriz. Foi colocado um aparelho, para evitar a subida à torre, de forma a ativar o sinal de alarme. Os sinais combinados eram os seguintes: duas badaladas repetidas é sinal de fogo na vila, para além da ribeira; três badaladas repetidas é sinal de fogo na vila para da ribeira; quatro badaladas repetidas é sinal de fogo no Bairro da Estação; cinco badaladas repetidas é sinal de fogo fora da vila e uma badalada repetida é sinal de ter terminado o fogo.

Em 28 de fevereiro de 1930 a Assembleia Geral reuniu na sala de sessões da Câmara Municipal. Procedeu-se à eleição dos corpos gerentes para o biénio 1930-1931. Para a Assembleia Geral foram eleitos para Presidente o Dr. Alfredo Mendes de Almeida Ferrão, Vice- presidente, Domingos da Costa Cerveira do Amaral, Caetano de Figueiredo Ferreira e Henrique

de Almeida Gonçalves; para a Direção foram eleitos, José Correia dos Santos, Raul Correia Horta e Vale e Antonino Durães, (reeleito para tesoureiro); foram eleitos para vogais, José Lopes da Silva e António da Conceição Lapa. São eleitos para substitutos, Aires de Almeida, José Rodrigues da Costa Lemos e José Jorge dos Santos. Para o Conselho Fiscal foi eleito Presidente, o Dr. Luís de Oliveira Massano, para Vice-presidente, o Dr. José de Mello Coelho Cabral e para secretário, o Dr. Esmeraldo Pais Prata. Para substitutos, Manuel Cardoso e Duarte Augusto Boto Machado. A Assembleia ratificou a nomeação do comandante António Rodrigues da Costa e do subcomandante Abel Marques.

A direção saída destas eleições procedeu a obras na secção nº. 1, e tentou reorganizar a secção nº. 2, do Bairro da Estação, que tinha falta de bombeiros. Foram adquiridas três mangueiras de 20 metros para equipar a autobomba e a bomba 1. Em junho a direção decidiu aceitar os instrumentos da Filarmónica de Maio e é formada uma comissão para reorganização da Filarmónica. Em agosto, Manuel da Veiga Mateus, o Padre António Alves dos Santos, António Pinho Fontes e Caetano de Figueiredo pedem o instrumental dos Bombeiros para a organização da Filarmónica desta vila, o que lhes foi cedido sob responsabilidade dos requerentes.

O corpo ativo teve trabalho apurado na noite de 21 para 22 de Dezembro de 1930. Segundo o relato do jornal Santacombadense, “um pavoroso incêndio no bairro das Lages, na casa da senhora Genoveva de Sousa Curveira …”. O incêndio teria tomado grandes proporções, não fosse a pronta resposta dos Bombeiros Voluntários que o dominaram e impediram de se propagar às casas vizinhas. A conjugação da Bomba nº1 e da Autobomba, auxiliadas por muitos populares que nestas alturas compareciam com os seus cântaros de barro cheios de água, permitiram o funcionamento ininterrupto das bombas.

Em dezembro de 1931 realizaram-se as eleições para o biénio 1932/1933.Para a Assembleia Geral foram eleitos, como presidente, Henrique de Almeida Gonçalves, e como secretários António Ferreira Onofre, Armando de Sousa Franco e Luís Benedito de Oliveira. Para a Direção foi eleito presidente, José Rodrigues da Costa Lemos, Vice-presidente, Amadeu Prata, secretário Augusto Rodrigues Coelho, sendo os vogais, José de Almeida e Manuel Maria Bento. Foram eleitos substitutos Henrique Marques da Costa, Abílio Rodrigues Rato e Duarte Augusto Boto Machado. O Conselho Fiscal ficou constituído por António de Pinho Fontes, Germano Dias Alves e Delfim Simões e Albuquerque sendo eleitos substitutos José Marques de Matos e José Mendonça Gouveia. Em fevereiro de 1932 António Rodrigues da Costa pede a demissão do cargo de comandante e entrega o comando ao comandante Abel Marques. A Direção a ordem para que o comando organize uma ambulância e uma maca que acompanhe o pronto-socorro. A ambulância poderia ter sido, na sua forma mais simples, uma caixa de madeira onde eram colocados os principais medicamentos e utensílios médicos para se poder atuar numa primeira intervenção. Em maio, em Assembleia Extraordinária é fixado o dia da Associação a seis de Novembro.

Em casa de José Rodrigues da Costa Lemos, reúne a Direção constituída por Amadeu Prata, José de Almeida, José Rodrigues Onofre e Manuel Maria Bento. É decidido que Manuel Maria Bento vai continuar a guiar o carro de materiais, pronto-socorro. Este carro era importante porque transportava as escadas e todo o restante material de sapador. A indicação de Manuel Maria Bento mostra a confiança que a direção tinha naquele empresário, que possuía uma oficina de automóveis, para a condução do pronto-socorro Studbacker. É pai de três importantes condutores do pronto-socorro Ford V8, António Maria Bento, conhecido por Tónio Maravilhas, Inocêncio Maria Bento, mais tarde dono de uma garagem oficina onde era feita a manutenção do Ford e de Manuel Maria Pinto, o Sr. Neca, que muitas vezes conduziu aquele carro.

Entretanto os instrumentos da Filarmónica não se encontram na posse da Associação e foram recolhidos pela autoridade Administrativa do Concelho que se responsabilizou pela reorganização da Filarmónica. É retomada a ideia de adaptar uma pequena ambulância ao carro pronto-socorro. Em agosto é confirmado Comandante, Abel Marques, sendo o restante corpo ativo composto por Américo Leite da Silva, clarim; António Rodrigues da Costa, chefe da bomba; Manuel Antunes, chefe de bomba; Manuel dos Santos, 1.ºagulheta; Manuel da Silva Miranda, 2.ºagulheta, e os bombeiros António Ferreira, Jaime Frias de Carvalho, Nicanor Frias de Carvalho, Elísio Ferreira Maromba, António Nunes, Cândido dos Santos, Manuel Leite da Silva, José Morais, Augusto Diniz, José Tito Ferreira de Sousa, António Gomes de Oliveira. Esta deverá ser uma das alterações do Regulamento que desconhecemos.

Em 1932, José Rodrigues da Costa Lemos resolveu comemorar os 17 anos da Associação e conseguiu envolver todas as forças vivas do concelho formando uma comissão composta por Augusto Rodrigues Coelho, Armando de Sousa Franco e Abel Marques. No dia 6 de novembro um desfile a que se associam as três bandas Filarmónicas do concelho, S. João de Areias, Pinheiro de Ázere e Santa Comba Dão. No desfile, a bomba braçal 1 seguia atrás da Filarmónica de Pinheiro, a braçal nº3 seguia atrás da Filarmónica de S. João de Areias e a seguir à Filarmónica de Santa Comba seguia a autobomba, aqui tratada por pronto-socorro.

No ano seguinte verificam-se algumas dificuldades na cobrança de quotas. É necessário verba para a construção de um portão no quartel da secção 1, na Rua de Santa Columba e tem de se pedir autorização ao proprietário. É adquirida uma bateria e instalação elétrica para o pronto-socorro que julgamos tratar-se do Studbaker, porque até esta data apenas temos a informação da aquisição daquela viatura particular adaptada a pronto socorro. Registou-se um incêndio na Gestosa tendo os bombeiros atuado com a bomba braçal com bom serviço pois evitaram que o incêndio comunicasse com outras casas.

Em 1933 era chefe de bomba Albano Ribeiro dos Santos, natural da Gestosa. Nos documentos consultados até esta altura, Ribeiro dos Santos não faz parte do corpo ativo. Pensamos que, por ser natural do local onde decorreu o incêndio, talvez seja dos presentes, o que está mais familiarizado com o funcionamento da bomba. De qualquer das formas para se ser Chefe de Bomba tem de se pertencer ao corpo ativo, tendo em conta que aquele posto, na hierarquia que vigorava então, substituía o comandante e o subcomandante. Toda a população se envolve no combate às chamas.

Em agosto deste mesmo ano é enviado um pedido de subsídio ao Sr. Ministro do Interior, Dr. Mário Pais de Sousa para a construção da casa dos Bombeiros. Entendemos que este pedido é para a construção de um quartel para o qual existe uma planta oferecida pelo construtor civil Augusto Brito de Faria.

Em junho um incêndio destruiu completamente o café do Sr. Francisco de Oliveira que ficava situado junto ao Jardim Público. Meia hora bastou para que o edifício, propriedade do Sr. Borges da Gama, ficasse feito em cinzas apesar de se situar a poucos metros da Estação dos Bombeiros.

Em outubro José de Almeida passa a fazer as vezes de secretário por demissão de Augusto Coelho. É registado que o pronto-socorro e piquete fizeram o funeral a um familiar do Dr. Mário Pais de Sousa até Macinhata do Vouga. Os quatro bombeiros destacados para o funeral tiveram subsídio de 20 escudos cada. O Barão de Santa Comba oferece cinquenta escudos à Associação porque e segundo as suas palavras “se quer associar e ajudar tão nobre causa e tamanha iniciativa”.

Em dezembro de 1933 realiza-se a Assembleia Geral no salão nobre da Câmara Municipal para a eleição dos corpos gerentes. Foram eleitos para a Mesa da Assembleia, o Dr. Alfredo Mendes de Almeida Ferrão, o Padre António Alves dos Santos, Francisco de Lemos Viegas e José Pires. Para a Direção, foi eleito Presidente José Rodrigues da Costa Lemos, para Vice-presidente, José Maurício Gouveia, Manuel Jorge Soares, Germano Dias Alves, e António Luís Mendes Paes. Como substitutos, António Simões Cravo de Lima, Francisco Coelho Conde e Francisco José da Costa Soares. Para o Conselho Fiscal, António Augusto Gouveia, Caetano de Figueiredo Ferreira e Manuel da Veiga Mateus. Para substitutos, Cândido Marques Serra e Luís Agostinho Alves.

Em janeiro de 1934 toda a Associação se congratula pela publicação no Decreto-lei 23395, Diário de Governo 292, de 22 de Dezembro de 1933 em que governo decreta “que seja reconhecida como instituição de utilidade Pública a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão, atendendo aos seus relevantes serviços”. Não é por acaso que acontece tal facto porque a reivindicação tinha sido feita a 26 de junho do ano anterior pelo presidente da Direção José Rodrigues da Costa Lemos. A Assembleia decide enviar um agradecimento ao Ministro do Interior pela declaração de Instituição de utilidade pública. Nesta Assembleia, José Rodrigues da Costa Lemos pede a demissão por motivos de saúde e é substituído pelo Capitão António Augusto Gouveia. Aprovou-se um agradecimento ao sócio nº1 pelo trabalho que ele sempre desempenhou ao serviço dos Bombeiros. É feita a transmissão de poderes da direção anterior e de todos os materiais existentes na Secção nº1 desta vila e da Secção nº2, localizada no Bairro da Estação. As reuniões passam a ser feitas na sala de sessões da Câmara Municipal.

Em dezembro de 1934, os bombeiros foram chamados para um incêndio em Mortágua numa fábrica de fiação. Comandados por Abel Marques, o Corpo Ativo levou as duas bombas braçais de duas rodas que foram puxadas a pé.

O Capitão Gouveia fez um pedido à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de um subsídio para a construção do novo quartel, acrescentando a necessidade de um novo pronto-socorro e de material. Estendeu o pedido à população em geral, aos emigrantes e ao comércio. A primeira Assembleia Geral de 1935 apresentou um saldo de 11 208$43. A Direção era constituída pelo capitão António Augusto Gouveia, José Maurício Gouveia, Manuel Jorge Soares, Germano Alves e António Mendes Pais. A Câmara Municipal avançou com a oferta da cantaria proveniente da demolição da escola Conde Ferreira para a construção do quartel. Entretanto o Sr. Manuel Alves Correia ofereceu um terreno mas a direção deixou ao arbítrio da direção seguinte a elaboração da escritura.

Na Assembleia Geral de dezembro de 1935, procedeu-se à eleição dos corpos sociais para o biénio 1936/1937. Para a Mesa da Assembleia foram eleitos, o Dr. Alfredo Mendes Almeida Ferrão, Aires de Almeida, José Lopes da Silva e José Correia dos Santos. Para a Direção foi eleito como Presidente, Dr. José de Mello Coelho Cabral, Antonino Durães, Henrique Almeida Gonçalves, Augusto Cezar Neves de Sousa e António Ferreira Onofre. Foram eleitos como substitutos, José Jorge dos Santos, António do Carmo Ferreira e António Martins dos Santos Cruz. Para o Conselho Fiscal foram eleitos, José Rodrigues da Costa Lemos, António Luís de Magalhães e José Pais da Costa. Para substitutos, Duarte Augusto Boto Machado e Delfim Simões de Albuquerque.

Logo na reunião de abril e após o pedido de exoneração do cargo de Augusto Neves de Sousa, a Direção traçou como principal objetivo a construção do quartel e por intermédio da Câmara Municipal recebeu um subsídio de 25 mil escudos do Sr. Ministro do Interior. A Direção decidiu comprar uma casa no Beco da Madragoa que confinava com o prédio recentemente adquirido. Para a aquisição destas propriedades e manutenção do material de incêndios realizavam-se atividades culturais como bailes e festas.

Em dezembro de 1937 realizou-se a Assembleia para eleição dos corpos Gerentes para o biénio 1938/1939. Para a Assembleia foram eleitos, Dr. José de Mello Coelho Cabral, António Pereira da Mota, António dos Santos Martins Cruz, António do Carmo Ferreira. Para a Direção como Presidente, José de Almeida, como Secretário, Manuel Eduardo Simões de Lemos, como Tesoureiro, Aires Marques dos Santos, como Vogais Henrique Almeida Gonçalves e Manuel de Matos Costa. Para o Conselho Fiscal, José Lopes da Silva, José Rodrigues da Costa Lemos e José Maurício Gouveia. Como substitutos foram eleitos Germano Dias Alves e Duarte Augusto Boto Machado. Na verdade, estes corpos sociais vão-se manter em funções até dezembro de 1945, por sucessivas reconduções da Assembleia Geral.

A CONSOLIDAÇÃO

Em 1938 foi feito o inventário do material existente na Secção nº1 desta vila, não havendo referência à Secção nº2 do Bairro da Estação. É adquirido novo material, consertado outro e são contactadas casas para o fornecimento de um novo pronto-socorro. É aceite a proposta da empresa de Viseu, Lopes Ferreira Limitada, para o fornecimento de um chassis Ford, modelo 1938, pelo valor de 20 mil e 500 escudos, a ser entregue nesta vila sem mais despesa para a Associação. Para levantar o chassis que se encontra na alfândega de Lisboa foram pagos dois mil e quinhentos escudos. Foi pedido às casas da especialidade orçamentos para adaptação do chassis e adquiriram-se à casa J. Vaullive& duas escadas. Entretanto o Dr. Mário Pais de Sousa ofereceu uma viatura IzotaFraschini para adaptação. A Direção agradeceu a oferta mas como o consumo da viatura era elevado, 25 litros de gasolina aos cem quilómetros, não mandou fazer as adaptações.

Até ao final do ano a Direção procedeu a obras no quartel da rua de Santa Columba, abertura de duas portas, sendo as obras adjudicadas por 947$20 a António Fernandes, Augusto Dinis e Marcelino Pereira. Foi também adjudicada a construção do pronto-socorro a António André, de Ílhavo, por 15 mil escudos. O antigo pronto-socorro é posto à venda por não se encontrar capaz de responder às necessidades. Foi adquirido um extintor para o novo pronto-socorro à casa ChestarMaurill e C.ª, de Lisboa, por duzentos e oito escudos. Entretanto o Subcomandante Abel Marques pede a demissão que é aceite. Resolveu a Direção convidar o instrutor, António Pinto de Magalhães, dos Bombeiros Voluntários de Coimbra a tomar o comando e ministrar instrução ao corpo ativo.

No início de 1939 foram a Ílhavo, dois membros da direção e o técnico João Ferreira Regadas verificar do bom andamento da montagem do pronto-socorro que foi entregue no dia

5 de fevereiro. Segundo relato do jornal Beira-Dão, em artigo visado pela Comissão de Censura, o Ford V8 foi recebido nos Paços do Concelho na presença do Sr. Governador Civil, o Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e o Sr. Comandante Distrital da Legião Portuguesa. Em seguida houve um desfile em direção à Casa do Povo para se proceder à sua inauguração e por fim um jantar na pensão Cruz em honra das entidades presentes. As festas foram abrilhantadas pela Filarmónica Santacombadense e a guarda de honra foi feita pelo núcleo local da Legião Portuguesa.

A 12 de fevereiro do mesmo ano é aceite a inscrição da Associação dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão na Liga dos Bombeiros Portugueses, com o número de sócio coletivo 200, posteriormente alterado para 151.

Foi feito o recrutamento de novo pessoal seguindo orientações do novo comandante. No dia onze de junho o novo corpo ativo realizou um exercício com a presença de uma delegação dos Bombeiros Voluntários de Coimbra.

No início de 1939 foram a Ílhavo, dois membros da direção e o técnico João Ferreira Regadas verificar do bom andamento da montagem do pronto-socorro que foi entregue no dia

5 de fevereiro. Segundo relato do jornal Beira-Dão, em artigo visado pela Comissão de Censura, o Ford V8 foi recebido nos Paços do Concelho na presença do Sr. Governador Civil, o Delegado do Instituto Nacional do Trabalho e o Sr. Comandante Distrital da Legião Portuguesa. Em seguida houve um desfile em direção à Casa do Povo para se proceder à sua inauguração e por fim um jantar na pensão Cruz em honra das entidades presentes. As festas foram abrilhantadas pela Filarmónica Santacombadense e a guarda de honra foi feita pelo núcleo local da Legião Portuguesa.

O instrutor, António Pinto de Magalhães, propôs à Direção que fosse nomeado para comandante Artur de Figueiredo, para chefes de secção Teófilo Ferreira e António Tomás e para fiscal de material Albano Ribeiro dos Santos. Foram aprovados para bombeiros José Tito Ferreira de Sousa, Fausto Soares, Trajano Coelho, Henrique Cordeiro, Crispim Costa, Luís Marques Ferreira, Celestino Ferrão, José Rodrigues da Costa, José Gonçalves, José Gomes dos Santos e Francisco dos Santos. Deliberou a Direção, dar mil escudos ao instrutor que nada levou pelo trabalho, para além do pagamento das viagens e da estadia. Nalgumas ocasiões Pinto de Magalhães ficou hospedado em casa do presidente da Direção, José de Almeida, na Rua do Outeirinho.

Mandou-se fazer fardamento para o novo corpo ativo.

Na ata da Direção de 14 de julho de 1939 refere-se que foi vendido à firma Regadas e Irmão o antigo pronto-socorro Studbaker, por duzentos e cinquenta escudos. É esta a única referência que temos relativa à marca do primeiro pronto-socorro. Esta verba foi empregue na aquisição de material novo para o combate aos incêndios.

A Direção manda comprar à firma Vaultier& Cª, cem metros de mangueiras e suas uniões, por 2228$85 e à firma Joaquim Dias Ferreira, de Lisboa, a compra de cotim para os fardamentos pelo preço de 430$90. Foi contraído um empréstimo ao Banco de Portugal de quatro contos para fazer face a estas e outras despesas.

Na Assembleia de 14 de janeiro de 1940, presidida pelo sócio António Viegas e Costa, por estar ausente o Presidente, foi reeleita a direção. Foram ainda aprovadas alterações ao Regulamento do Corpo Ativo que se encontra transcrito no livro de atas da Direção. Este Regulamento foi mandado imprimir na Tipografia Figueirense e todos os Bombeiros do Corpo Ativo deveriam ter um exemplar. Os dois exemplares conhecidos encontram-se na Biblioteca Nacional. Trata-se de uma reformulação profunda do Regulamento aprovado em 1919 e, no essencial, mantém-se ainda em vigor. Para além de outras alterações o Corpo Ativo passa a ser composto por um Comandante, um segundo comandante, dois chefes de secção ou esquadra, vinte bombeiros e um clarim. Para além dos 20 bombeiros poderiam ainda existir 12 auxiliares que em tudo teriam de ter a mesma formação dos bombeiros. Quando estivessem em operações os bombeiros responderiam a ordens dadas por apito ou pelo clarim.

Foi realizada uma sessão de cinema no Café Arcada para recolha de fundos para a Associação.

Em fevereiro o empréstimo dos 4 contos do Banco de Portugal foi saldado, com a comparticipação da Câmara Municipal.

Em 22 de janeiro de 1941, o Tesoureiro Henrique de Almeida Gonçalves pediu a exoneração de vogal por ser legalmente incompatível com o cargo de Chefe de secretaria da Câmara Municipal. A direção não elegeu substituto, funcionando com quatro elementos. Henrique Gonçalves continuou a dar apoio ao grupo de trabalho, embora essa participação não fosse oficial.

Em maio, a Direção deliberou permutar os três prédios da Associação, no Beco da Madragoa e na Rua Santa Columba com um prédio da Câmara Municipal na Rua Miguel Neves. A Câmara Municipal compromete-se a adquirir e comparticipar na compra dos dois prédios da Rua Miguel Neves pertença de Maria da Conceição Alves e de Conceição Ramos Prata. A Assembleia aprova a permuta do prédio, propriedade da Associação, com um terreno da Câmara Municipal na Rua Miguel Neves. Em outubro a Direção deliberou mandar construir a

sede da Associação, no Largo do Balcão, nos terrenos adquiridos por permuta e convidar o Sr. Tomaz Braz Garcia de Mascarenhas a fazer a planta por mil e duzentos escudos. Em janeiro de 1942 é deliberado entregar a obra a Carlos Marques dos Santos, de Treixedo, no valor de 33.000$00 com prazo de construção de 180 dias. Entretanto e para a prossecução das obras, o Doutor Belchior Rodrigues Martins de Carvalho, presidente de Câmara Municipal, entrega à Associação 25 000$00, donativo do Senhor presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar a pedido do Sr. Ministro do Interior, Dr. Mário Pais de Sousa. O projeto sofreu algumas alterações sendo-lhe acrescentadas mais seis janelas por seis mil escudos. A sirene é comprada à firma Lusitana de Motricidade por 6510$60 e é colocada na torre da igreja, tendo depois sido colocada na casa de José de Almeida, no Largo de Balcão.

O jornal Defesa da Beira noticiava em agosto que a Inspeção Geral de Seguros deu um subsídio, por intermédio da Câmara Municipal, de 12 000$00 para a aquisição de uma motobomba.

Em agosto de 1942, chegou a primeira motobomba, marca BailotNorlhen, que custou 1200$00 e em novembro foi adquirida a segunda, da marca OKW-22HP.

Em janeiro de 1943 os Bombeiros de Santa Comba encontram-se com os de Mortágua no combate a um incêndio que deflagrou nas indústrias dos Srs. Martins & Irmão. Mais tarde estes industriais agradeceram a prestação dos Bombeiros oferecendo um donativo à Associação.

Em novembro surgiu novamente o problema da Sociedade Filarmónica Santacombadense solicitando a ligação à Associação. A Direção colabora pedindo o inventário de todos os bens da Filarmónica. A Assembleia Geral aceitou o ativo e passivo e mandatou o presidente para a procura de uma solução.

Em 1943 é adjudicada a compra de uma motobombaGuinard, (será a terceira), à casa J. Vaultier& Companhia, de Lisboa, por trinta e quatro mil escudos, pedindo-se para o efeito um subsídio à Câmara Municipal. A motobombaGuinard “é portátil, centrifuga, de alta pressão com motor a gasolina de 4 cilindros e com a força ao freio de 28 CV. É montada em chassis manual, em tubo de aço com duas pequenas rodas de bandagens para condução sobre estrada”. Entretanto as obras de construção do Quartel são suspensas temporariamente pelo Sr. Subsecretário das Obras Públicas, por haver problemas com a planta. Nesta fase da construção o quartel estava coberto com armação e telha. Para a construção do quartel muito contribuíram os industriais de Santa Comba, na oferta de toda a madeira necessária, destacando-se neste particular o Sr. Emídio Martins Semedo, ativo e conceituado industrial da Fábrica de Serração da Cancela, de S. João de Areias. Também a firma “Sociedade de Madeiras“ da Estação, gerida pelo Sr. Barés, ofereceu a serração e aplainamento de todas as madeiras. Havendo urgência na construção do edifício dos Correios e Telégrafo, no local que servia de casa de guarda do equipamento dos Bombeiros, o Sr. José de Matos construiu uma garagem na rua Miguel Neves para serem guardadas as bombas e restante material até o novo quartel estar pronto.

Na Assembleia Geral, a 8 de junho de 1944, é guardado um minuto de silêncio pelo falecimento do sócio fundador, 1, José Rodrigues da Costa Lemos. A Direção decidiu que todo o corpo ativo deveria estar presente no funeral, que o transporte seria feito numa das viaturas e a urna coberta pela bandeira da Associação, normativos constantes no Regulamento do Corpo Ativo, de 1918. A ordem foi dada ao comando que se recusou a convocar o corpo ativo para o funeral, alegando que noutras situações semelhantes o “Regulamento não teria

sido cumprido”. Entende-se que o comandante Artur de Figueiredo quererá dizer que em situações semelhantes de falecimento de outros associados não teria sido aplicado o Regulamento. Perante a recusa do Comandante Artur de Figueiredo o Presidente da Direção nomeia o bombeiro José Gomes dos Santos para convocar o corpo ativo. Em julho, Artur de Figueiredo pede a exoneração do cargo que foi aceite pela Direção.

Para sua substituição é nomeado o Capitão de Engenharia António Augusto Gouveia, que aceita. É nomeado comandante interino José dos Santos Abrantes, segundo Sargento reformado, morador nesta vila. Nomeia ainda o bombeiro 15, José Gomes dos Santos, chefe de secção.

Em setembro de 1944, o Comandante capitão Gouveia pede a demissão de todo corpo ativo com exceção dos bombeiros José Gomes dos Santos, Albano Ribeiro dos Santos, José Rodrigues da Costa e do motorista Manuel Maria Bento e no mês seguinte foram admitidos como novos bombeiros Alfredo Augusto Silvestre, Daniel Ferreira Lima, Luciano Pais da Costa, Eduardo Manuel de Almeida, José Batista, António Cândido de Matos, João Morais Coelho, Manuel Durães, José Gomes dos Santos, António de Sousa Morais, Francisco Gomes dos Santos, Afonso Augusto de Oliveira, Januário Gomes Varela, Afonso Neves, José de Matos Durães, Manuel de Matos Lourenço, António Rodrigues da Costa, Joaquim de Sousa e como auxiliares Henrique Marques da Costa Júnior e Joaquim Ferreira Chaves. Perante esta situação os bombeiros demitidos fazem publicar uma declaração no Jornal Beira Dão onde dizem que nunca tinham sido incitados pelo seu comandante a serem insubordinados, “ou ao abandono da sua função”. “Nada tinham com o suscitado entre o comandante e a Direção”. Assinam os bombeiros Luiz Gomes dos Santos Mateus, José Rodrigues da Costa, Tito Ferreira de Sousa, José Gomes dos Santos, Vitorino Pires, Albano Ribeiro dos Santos, Manoel Maria Bento, José Nabais Domingos, Trajano Coelho Ribeiro, Crispim da Costa, António Augusto Coelho, António Benedito, Alfredo Gouveia Coelho, António Ferreira de Almeida Prata, Teófilo Ferreira, António de Almeida Rojão, Fausto Soares, António Cordeiro, a rogo de Henrique Cordeiro, Américo Leite da Silva e Arnaldo da Conceição Horta. Em novembro, José Rodrigues da Costa, antigo primeiro Clarim do Corpo ativo, é promovido a Chefe. Quanto ao falecido José Rodrigues da Costa Lemos, fundador e sócio nº. 1, dos Bombeiros Voluntários, acabou por ser levado para o cemitério na carreta da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, da qual tinha feito parte. Estes acontecimentos vão colocar os Bombeiros Voluntários numa situação de ilegalidade, que em 1953 se regulariza. Isto porque um bombeiro, segundo a lei e os próprios estatutos, não pode ser expulso sem ser feito o respetivo procedimento disciplinar.

As obras do Quartel prosseguem e é feito o agradecimento à Câmara Municipal pelo apoio e por mais um subsídio de vinte mil escudos por intermédio do seu presidente Dr. Belchior Martins de Carvalho.

Em janeiro de 1945 ficou reorganizado o corpo ativo com o Capitão Gouveia a comandante, José Gomes dos Santos Mateus e José Rodrigues da Costa, chefes da secção. Passaram a pronto os bombeiros, José Batista, Alfredo Augusto Silvestre, Daniel Ferreira Lima, Luciano Pais da Costa, Jaime de Oliveira Gonçalves, Vitorino da Conceição Pais, Manuel Durães, Cândido Pais da Costa, Elísio Morais Branquinho, António Augusto Coelho, José Rodrigues de Sousa, António Cândido de Matos, Afonso Augusto Oliveira, José Gomes dos Santos, João Morais Coelho, António de Sousa Morais, Francisco Gomes dos Santos e os cadetes Januário Gomes Varela e José Vasco Mendes Assis. Receberam diplomas o comandante, o Comandante, os chefes de secção, o bombeiro António Rodrigues da Costa, o motorista Francisco Coelho Conde, o mecânico Arnaldo da Conceição Horta e ainda os bombeiros auxiliares Henrique Rodrigues da Costa Júnior, Joaquim Ferreira Chaves e Manuel de Matos Lourenço.

Por esta altura foram adquiridos casacos de borracha para completar o fardamento dos Bombeiros.

Em novembro de 1945 é recebido um ofício da Comissão Concelhia do Movimento de Unidade Democrática, MUD, assinado por Mário Gomes da Silva solicitando as salas da Associação para uma reunião. A direção decidiu não ceder as salas por esta Associação querer ”manter a sua isenção política”. No gabinete da Direção, no novo Quartel, é usado o mobiliário

de escritório da comissão venatória desta vila. Na última reunião da Direção do ano é dado um voto de louvor ao jornal Defesa da Beira pelo apoio e propaganda às ações da Associação.

Na Assembleia Geral de dezembro de 1945, foram eleitos os Corpos Gerentes para o biénio 1946/1947. Para a Assembleia Geral foram eleitos. Joaquim Gomes de Almeida (fundador do jornal Defesa da Beira), Aires de Almeida, José Marques de Matos e António Ferreira Onofre. Para a Direção foram eleitos, José de Matos, António Gomes Cruz, José de Sousa Franco, os vogais Henrique Almeida Gonçalves e Francisco Coelho Conde. Como substitutos foram eleitos Germano Dias Alves, José Pedro Prata e Manuel Fernandes. Para o Conselho Fiscal foram eleitos, António do Carmo Ferreira, José Pais da Costa e os substitutos António Augusto Serra e Amadeu Prata.

A Assembleia do dia 20 de janeiro de 1946 procede a nova eleição da Direção ao não concordar com a Direção eleita na Assembleia anterior. Para Presidente é eleito o Dr. António Mateus Carvalhal, Secretário, José Pinto de Matos, Tesoureiro, António Gomes Cruz; para vogais Henrique Almeida Gonçalves e Francisco Coelho Conde. Para substitutos Germano Dias Alves, José Pedro Prata e Manuel Fernandes. Nesta Assembleia é feito um grande louvor à Direção de José de Almeida que se manteve vários mandatos deixando a obra do quartel no Largo do Balcão e a aquisição do pronto-socorro Ford V8.

A Direção eleita vai proceder à finalização das obras do quartel, valorização dos espaços da nova sede sendo claro que o rés-do-chão seria para garagem e material necessário ao corpo ativo e o primeiro andar, para além da sala da Direção teria ainda uma sala de convívio de jogos com direitos de admissão reservados. Assim entre os anos de 1945 e 1948 são adjudicadas as obras das retretes e casa de banho ao construtor Firmino João Ramalho pelo preço de 10 430$00. A Direção, em 1946, possui um saldo de 22 742$30, o que permitiu adjudicar as mesas para o salão, sendo nove quadradas, uma oitavada e outra sextavada, aos marceneiros Augusto Ferreira Maromba e António Fernandes, por apresentarem o preço mais baixo. Foi decidido que a mesa de bilhar oferecida pelo Dr. António Godinho do Amaral fosse adaptada a mesa de pingue-pongue e em outubro de 1947 adquiriu-se uma mesa de bilhar. O senhor António Alves estaria de serviço na sede “quando esta abrir aos sócios “e decidiu-se ainda adquirir um fogão para aquecimento. A Vidreira de Fontela, gerida pelo Sr. Mário Barroca, ofereceu os vidros da porta principal de entrada no salão da Associação. A Firma Regadas e Irmão, ofereceu o portão para a garagem da Associação que orçou em 7 740$00. Em junho de 1948 é adquirida uma geleira no valor de 400$00. em 1949 éadquirido o recetor TSF, Philips, por 3.350$00.

Em novembro foi entregue o estandarte ao corpo ativo e ficou decidido marcar-se posteriormente uma data para a inauguração da sede, convidando-se o Doutor Mário Pais de Sousa para presidir à sessão.

Na Assembleia Geral de 17 de dezembro de 1947, o presidente Joaquim Gomes de Almeida, antes da ordem do dia, “propôs à Assembleia Geral para que sejam inscritos e considerados sócios honorários desta Associação, os senhores Doutores António de Oliveira Salazar e Mário Pais de Sousa, ilustres Santacombadenses, pelo relevante auxílio moral e material que têm prestado a esta coletividade. Esta proposta foi aprovada por unanimidade e coroada por uma vibrante salva de palmas.” Seguiram-se as eleições para os Órgãos Sociais tendo sido eleito presidente da Assembleia Geral José Marques de Matos, vice-presidente Aires de Almeida e para secretários José Maurício Gouveia e António Rodrigues da Costa. Para a Direção foi eleito presidente, Joaquim Gomes de Almeida, secretário, Aires Marques dos

Santos, António Ferreira Onofre, António Martins dos Santos Cruz e Amadeu Prata. Como substitutos foram ainda eleitos Antonino Durães, António Cordeiro e Manuel Fernandes. Para o Conselho Fiscal foram eleitos Francisco de Lemos Viegas, José Maria de Matos e José Pedro Prata, sendo os substitutos José Pais da Costa e José Cordeiro Saldanha. Neste segundo mandato, a Direção de Joaquim Gomes de Almeida tomou decisões em diferentes áreas e logo no início de 1948 ordenou a recolha de todos os instrumentos musicais à guarda da Associação, com exceção dos que estavam na posse do grupo musical “Os Palhinhas”. Este grupo musical costumava animar os bailes de angariação de fundos e participava nas festas dos bombeiros. Os seus dinamizadores eram a família Costa, conhecidos pelos Citó, Sidónio Costa, Adão Costa, do Canto e Franco, seriam o núcleo principal da popular banda musical. Nesta época iniciaram-se as “démarches” para adquirir uma ambulância automóvel. Também na área desportiva a Associação era solicitada, como é o caso da receção, em 17 de fevereiro, de um ofício do Grupo Desportivo Comércio e Indústria pedindo para ser integrado na estrutura da Associação. A Direção decidiu aguardar a revisão dos estatutos para responder ao ofício. Os Estatutos previam atividades na área cultural, mas com a saída de nova legislação a nível nacional referente a nova orgânica dos corpos de Bombeiros, a Direção estava a atualizar os Estatutos da Associação. Entretanto o Doutor César Correia Pinto ofereceu os seus préstimos para médico do corpo ativo.

Em 2 de fevereiro de 1948 é criada, em sessão da Direção, a Caixa de Auxílio aos sócios com a finalidade de prestar auxílio, quer pecuniário quer de qualquer outra natureza, aos componentes do corpo ativo. Esta iniciativa era fundamental para o presidente Gomes de Almeida e a sua implementação era vigorosamente por si defendida. Em 16 de maio, em Assembleia Geral, são aprovados os novos Estatutos e é Regulamentada a Caixa de Auxílio ao Corpo Ativo. Estes Estatutos foram mandados imprimir na Tipografia Lusitana de Santa Comba Dão.

É nomeado como Segundo Comandante, José dos Santos Abrantes e São propostos para Sócios Honorários Bonifácio Ferreira da Costa, Manuel Ferreira Regadas e João Ferreira Regadas, o primeiro por ter doado à Associação avultadas importâncias monetárias e os segundos por terem oferecido os portões do Quartel. Foi ainda considerado sócio honorário o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Coimbra, António Pinto de Magalhães pelos relevantes serviços prestados a esta coletividade.

Em março de 1949 os bombeiros são chamados para um grande incêndio na Fábrica da Naia, em Canas de Sabugosa. Ali se encontraram com os colegas Voluntários de Tondela, Mangualde e Viseu bem como os municipais da capital do distrito. Estiveram a funcionar 15 agulhetas em simultâneo.

A direção não reconhece capacidades de comando ao Capitão António Augusto Gouveia e pede ao comandante dos Voluntários de Coimbra para dar instrução e disciplinar o corpo ativo e em setembro é aceite o pedido de exoneração do Comandante Capitão Augusto de Gouveia.

Em setembro a Comissão das festas dos Bombeiros entregou a quantia de 9408$85. Estas festas, em honra da padroeira da vila, Nossa Senhora da Assunção, foram, segundo relatos da época na imprensa local, as maiores que até então se fizeram em Santa Comba e as que mais dividendos trouxeram aos Bombeiros Voluntários. Realizaram-se ininterruptamente desde 1944. Passam a constituir um pronúncio das festas que vão decorrer na década de 50, época da qual chegaram até nós alguns panfletos e nas quais participaram artistas de renome nacional. As comissões de festas eram nomeadas de um ano para o outro.

Em outubro é nomeado comandante o sargento reformado, José dos Santos Abrantes. São nomeados sócios beneméritos João Ferreira Regadas, Bonifácio Ferreira da Costa, emigrante no Congo Belga devido aos vários donativos que envia para a Associação. Foi decidido colocar no salão nobre as fotografias de António de Oliveira Salazar, Mário Pais de Sousa, Bonifácio Ferreira da Costa, João Ferreira Regadas e Manuel Ferreira Regadas, António Pinto de Magalhães, comandante honorário do corpo efetivo desta Associação, e a fotografia da Direção: José Matos de Almeida, Manuel Matos da Costa, Henrique Almeida Gonçalves, Manuel Eduardo Simões de Lemos e Aires Marques dos Santos.

Em 15 de abril de 1951, houve um acidente com o Ford V/8, após o rebentamento de um pneu, na curva do Casal, quando os bombeiros foram chamados para um incêndio na secção de torrefação da Fornecedora de Farinhas, no Vimieiro. Segundo alguns relatos o carro estaria na oficina do Sr. Inocêncio Maria Bento para manutenção e não teria colocado o rodado duplo no eixo traseiro, apenas tinha uma roda de cada lado. O condutor, segundo os mesmos relatos não confirmados por documento escrito, era António Maria Bento, conhecido por Tónio Maravilhas. Filho e irmão de condutores dos Bombeiros, terá sido traído pelo estado mecânico do veículo. Ao fazer a curva do Casal, perigosa e pronunciada, o carro terá descompensado na traseira dando-se o capotamento. Os bombeiros foram projetados mas o condutor manteve-se no lugar estabilizando o veículo. António Coelho Pais, com dupla fratura numa perna foi o ferido mais grave e por isso foi conduzido aos hospitais da Universidade de Coimbra. Manuel de Almeida fraturou um braço; Artur de Figueiredo fraturou um braço; António de Almeida Rojão, Teófilo Ferreira, António Cordeiro Cristo, Henrique Cordeiro, José Jesus Almeida, Armando Sousa e Elísio Morais Branquinho ficaram com ferimentos vários no rosto e na cabeça, tendo sido assistidos pelos Drs. Mário Miranda, Mateus Carvalhal e Vicente Silva. Mais tarde chegaram os Drs. Correia Pinto e Ferreira de Andrade do Bairro da Estação e o Dr. Azy, de Vila Pouca. Os bombeiros foram assistidos nos consultórios dos médicos de Santa Comba que continuaram a acompanhar, no domicílio, os bombeiros que ficaram com ferimentos mais graves.

Em 15 de abril de 1951, houve um acidente com o Ford V/8, após o rebentamento de um pneu, na curva do Casal, quando os bombeiros foram chamados para um incêndio na secção de torrefação da Fornecedora de Farinhas, no Vimieiro. Segundo alguns relatos o carro estaria na oficina do Sr. Inocêncio Maria Bento para manutenção e não teria colocado o rodado duplo no eixo traseiro, apenas tinha uma roda de cada lado. O condutor, segundo os mesmos relatos não confirmados por documento escrito, era António Maria Bento, conhecido por Tónio Maravilhas. Filho e irmão de condutores dos Bombeiros, terá sido traído pelo estado mecânico do veículo. Ao fazer a curva do Casal, perigosa e pronunciada, o carro terá descompensado na traseira dando-se o capotamento. Os bombeiros foram projetados mas o condutor manteve-se no lugar estabilizando o veículo. António Coelho Pais, com dupla fratura numa perna foi o ferido mais grave e por isso foi conduzido aos hospitais da Universidade de Coimbra. Manuel de Almeida fraturou um braço; Artur de Figueiredo fraturou um braço; António de Almeida Rojão, Teófilo Ferreira, António Cordeiro Cristo, Henrique Cordeiro, José Jesus Almeida, Armando Sousa e Elísio Morais Branquinho ficaram com ferimentos vários no rosto e na cabeça, tendo sido assistidos pelos Drs. Mário Miranda, Mateus Carvalhal e Vicente Silva. Mais tarde chegaram os Drs. Correia Pinto e Ferreira de Andrade do Bairro da Estação e o Dr. Azy, de Vila Pouca. Os bombeiros foram assistidos nos consultórios dos médicos de Santa Comba que continuaram a acompanhar, no domicílio, os bombeiros que ficaram com ferimentos mais graves.

No dia 10 de agosto de 1952 é finalmente inaugurada e benzida a ambulância Volkswagen, “AG-18-48” pelo padre Manuel Coelho Lopes, estando presentes na cerimónia o presidente, Doutor Joaquim Ribeiro Estevão de Faria, Francisco de Lemos Viegas, António da Rocha e Carmo, João de Almeida Gonçalves, Eduardo Loureiro de Lemos, sendo a madrinha, D. Maria Fernanda Pratas Pais de Sousa.

Na Assembleia Geral de 7 de dezembro de 1952 foi eleito para Presidente, Francisco de Lemos Viegas. Os restantes membros da mesa eleitos foram: Augusto Rodrigues Coelho, Mário de Figueiredo, António de Lemos Trindade Viegas, António de Almeida e Costa e José Luís Ferreira Júnior. Para a Direção foi eleito Presidente, o Dr. Joaquim Vicente da Silva; Vice- presidente, Dr. Manuel Rodrigues Coimbra; secretários, Albino Neves Pires de Sousa e Alfredo Pais Martins; tesoureiro, João de Almeida Gonçalves. Para vogais foram eleitos José Alves Branquinho, Eduardo Loureiro de Lemos. Para o Conselho Fiscal foram eleitos para Presidente, João Maria Matos, Vice-presidente, Firmino João Ramalho e José Pedro Prata, como relator. Estes órgãos sociais eram mandatados para três anos, uma das alterações introduzidas pelos Estatutos aprovados em Dezembro de 1948. Pelos Estatutos anteriores os mandatos eram bienais.