História da Associação

Dedicação e Coragem ao Serviço da Comunidade

Heróis do Fogo e da Vida

No dia seis de novembro de 1915, a convite do cidadão José Rodrigues da Costa Lemos reuniram-se José Mendonça Gouveia, Pedro de Almeida, José Marques de Matos e José Soares de Loureiro.

José de Lemos propôs que se constituíssem em Comissão Promotora da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão.

As reuniões vão-se sucedendo alternadamente nas moradas dos membros da Comissão e é em janeiro de 1917 que a Comissão decide contactar uma firma do Porto, Machado Júnior, com a qual faz um contrato para a aquisição de material de combate a incêndios. Desse contrato faziam parte um carro bomba (Pronto Socorro) que seria o primeiro da Corporação.

Após várias idas ao Porto, José de Lemos consegue a intermediação da Firma Jaime Augusto Soares e Irmão e esta mesma firma vai responsabilizar-se e construir a bomba W2, caldeira de ferro para duzentos e cinquenta litros, duas escadas de ganchos, quatro lanços de escadas, doze machados de cinta, doze molas de segurança, vinte e quatro molas para espias. O restante material deveria ser fornecido pela firma Machado Júnior, o que não se vem a efetivar. Lê-se hoje na bomba braçal, entretanto recuperada, “OfficinaMechanica, Jayme Augusto Soares, 59, Rua dos Caldeireiros, 61, Porto”. Ao mesmo tempo, a Comissão vai alugar a Bonifácio Gomes dos Santos uma loja à beira da estrada nacional, na Rua de Santa Columba, para instalar o material de incêndios, pagando anualmente 10$00 de renda.

A constituição do primeiro corpo ativo teve lugar no dia 6 de abril de 1918, em reunião realizada no teatro Alves Mateus. Este corpo ativo durou apenas quatro meses e dele faziam parte Duarte Augusto Boto Machado, João Ferreira Onofre, comerciante, José Joaquim de Castro, industrial, Manuel Gomes de Morais, comerciante, Hilário Fernandes, sapateiro, José da Conceição Coelho, carpinteiro, António Fonseca Oliveira, alfaiate, Abel Ferreira de Sousa, António Marques da Costa, António Martins dos Santos, comerciante, José Pinto de Sousa, sapateiro, e Abel Gomes Prata, alfaiate. Todos aceitaram fazer parte do corpo ativo e efetivo dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão e foram eleitos por escrutínio secreto o comandante e o segundo comandante José Joaquim de Castro e António Martins dos Santos, respetivamente. Foi enviado convite aos Bombeiros Voluntários de Coimbra para dar instrução ao corpo ativo, que ficou a cargo de José Simões Pais. A primeira instrução foi dada no pátio do Teatro Alves Mateus. Segundo a imprensa local em maio de 1918 “dá-se a primeira atuação dos bombeiros com o carro bomba num incêndio na habitação do Sr. Aleixo Mendes de Almeida, professor nesta vila e residente no bairro das Lages”.

A 3 de agosto do mesmo ano, foi constituída a Assembleia Geral, no Teatro Alves Mateus. Com a presença de José Rodrigues da Costa Lemos, José Soares de Loureiro, José Marques de Matos, membros da direção e mais José Joaquim de Castro, Hilário Fernandes, António Fonseca Oliveira, Manuel Gomes de Morais, sapateiro, José da Conceição Coelho, Francisco Marcelino, carpinteiro, Luís Alves, carpinteiro, João dos Santos Castro, funileiro, Abel Gomes Prata, José Varela, João de Azevedo e António Antunes de Almeida, foi constituído o novo corpo ativo, bombeiros definitivamente inscritos, em virtude de outros inscritos em 6 de abril não terem comparecido à Assembleia, alegando “razões de escusa” para não fazerem parte do corpo ativo. Procedeu-se à eleição, por escrutínio secreto, do subcomandante, tendo sido eleito Hilário Fernandes. José Joaquim de Castro mantem-se comandante desde a primeira reunião, e foram eleitos Manuel Gomes de Morais para chefe de bomba, José da Conceição Coelho para primeiro agulheta e Luís Alves para segundo agulheta. A 30 de setembro, a Assembleia reúne para inscrever como bombeiros Demétrio Augusto Duarte e Francisco Coelho para substituição de um bombeiro excluído, José Varela, e de João Ribeiro de Azevedo que não compareceu aos exercícios.

A comissão promotora passa a ser designada de Direção a partir da Assembleia Geral de 3 de agosto. É aprovado o Regulamento do Corpo de Bombeiros no dia 25 de dezembro de 1918, mandado imprimir na Typografia da Beira, de Santa Comba Dão. Este Regulamento remete para alguns dos artigos dos estatutos não se referindo no entanto à finalidade da Associação. Ficámos a saber que o corpo de bombeiros é constituído pelo comandante, um subcomandante, um chefe de bomba, dois agulhetas, um clarim e seis bombeiros. Admitem-se ainda bombeiros que se designarão por auxiliares que passarão ao corpo ativo quando surgir uma vaga. Este Regulamento alerta ainda para “a severa disciplina dos associados do corpo ativo” e ainda “pela conservação e limpeza do material”. Haverá um exercício geral “todos os quartos domingos de cada mez”. O artigo 9º estabelece “que se poderá formar uma banda de música”, denominada Banda dos Bombeiros, “sempre que as circunstâncias o permitam”, remetendo para o artigo 56º dos Estatutos. De referir que este Regulamento entra em vigor antes da aprovação dos Estatutos pelo Governo Civil de Viseu, o que acontecerá a 19 de maio do ano seguinte.

A 26 de dezembro dá-se um volte face no comando da corporação. José Joaquim de Castro por razões pessoais apresenta o pedido de demissão do cargo de Comandante. A Assembleia tenta demovê-lo mas a decisão está tomada. José de Lemos que preside à reunião, agradece a dedicação de José de Castro e logo se nomeou comandante interino Hilário Fernandes. Foram inscritos como novos bombeiros Alberto Boto Machado e Abel Ferreira.

A 24 de maio entra para bombeiro Sílvio Gomes dos Santos e fica estabelecido que se fará um exercício na primeira quarta-feira de cada mês e nota-se aqui uma primeira alteração ao Regulamento.

A 21 de outubro de 1919 são inscritos António Ferreira Onofre, Álvaro Gomes dos Santos e António Augusto Alves Figo para substituírem Francisco Marcelino, José da Conceição Coelho e Demétrio Augusto Duarte. Estes pormenores que aqui descrevemos têm como

objetivo mostrar o quanto era difícil a José de Lemos e ao comandante interino Hilário Fernandes manter um corpo ativo disciplinado que comparecesse a todos os exercícios e outras obrigações para as quais vários Santacombadenses se voluntariaram. Não será alheio o facto de o país viver uma situação política muito volátil, havendo vários grupos rivais de republicanos e monárquicos, fenómeno que se manifestava também em Santa Comba.

A 14 de dezembro, em segunda convocatória, são eleitos os órgãos sociais, com a presença de doze sócios. Para a Assembleia Geral, foi eleito Presidente, Manuel Alves Correia, Vice-presidente, José Rodrigues da Costa Lemos, Francisco Neves de Andrade, José Ferreira Regadas Júnior; para a Direção foi eleito Presidente o Dr. Luís de Oliveira Massano, Tesoureiro, José Soares de Loureiro, secretário, José Marques de Matos; Vogais, José Borges da Gama Júnior e Bonito Pereira Cardoso. Como substitutos ficaram José Correia dos Santos, José Rodrigues dos Santos e Pedro de Almeida. Para o Conselho Fiscal foi eleito Presidente o Dr. António Rodrigues da Costa Silveira, Vice-presidente Alfredo de Pais Paiva e secretário, José Joaquim de Carmo Pires. Como substitutos Francisco Rodrigues dos Santos, e Manuel da Costa. Estes órgãos sociais não vão funcionar, principalmente a Direção entre finais de 1919 e abril de 1922, ou se funcionaram não ficaram registos nos livros de atas. É neste ano que regressa José da Costa Lemos para reconstruir a Associação pela qual lutou desde 1915. No dia 16 do referido mês, José de Lemos aponta o facto de a Assembleia não ter funcionado por não haver número suficiente de sócios e que a direção nunca cumpriu nenhuma das obrigações a que estava obrigada por lei, deixando degradar os materiais e o corpo ativo. Nesta Assembleia são dados plenos poderes a uma comissão para lidar com os problemas da Associação e foram logo ali eleitos José Rodrigues da Costa Lemos, Abel Marques, João Ferreira Onofre, Pedro de Almeida, Manuel da Veiga Mateus e José Jorge dos Santos. Esta comissão vai pôr ordem na contabilidade, tratar e renovar o material de incêndio e apelar à reconstituição do corpo ativo. Logo no dia seguinte se reúne no Teatro e, no mês seguinte, a nova Comissão Gerente confirmou e fez nova inscrição dos bombeiros Hilário Fernandes, subcomandante, Abel Gomes Prata, João dos Santos Castro, Luís Agostinho Alves, chefe da bomba, António Ferreira Onofre, Manuel Neves e Abel Marques, funcionário público. Encarregou-se o subcomandante de recrutar mais membros para o corpo ativo. A secretaria da Comissão passou a ser no Teatro e rapidamente se angariaram 93 sócios.

Em 31 de outubro de 1922 são inscritos três novos bombeiros propostos pelo subcomandante, António Rodrigues da Costa, João Ferreira Maromba e Manuel dos Santos. Angariar fundos é a grande preocupação da Comissão Gerente. Nomeia todos os anos o cobrador das quotas, dando-lhe 10% do cobrado. Solicita permanentemente apoios à Câmara Municipal que desde o primeiro momento contribui com verbas e em julho de 1923 um subsídio de cinquenta escudos. Os Bombeiros Voluntários de Coimbra, através do Comandante João Inácio, deram instrução ao corpo ativo.

Entretanto, devido a um grande incêndio no Bairro da Estação, surge a necessidade de se constituir uma segunda secção dos bombeiros naquele local. O Bairro da Estação tinha-se tornado no pólo industrial e comercial de Santa Comba. Existiam vários armazéns, alguns deles de materiais inflamáveis. O incêndio atingiu grandes proporções porque começaram a arder “milhares de travesas” usadas na reparação da via. Só pela atitude dos Bombeiros Voluntários e da população não foram atingidas as instalações da VacuumOilCompany, mais tarde denominada Mobil Portuguesa. Este facto faz com que o Presidente escreva àquela companhia pedindo ajuda no que é atendido recebendo um donativo de 250$00. São solicitados apoios à

Companhia de Exploração dos Caminhos de Ferro, em Viseu, e a Direção da Companhia de Caminhos de Ferro da Beira Alta, com sede na Figueira da Foz, ofereceu a esta Associação 250$00. Em agosto de 1923, em casa de Manuel da Costa, no Bairro da Estação faz-se uma reunião para abrir a segunda secção de Socorros, ideia apoiada por Manuel da Costa, que ofereceu instalações para a nova bomba e restante material, e Francisco Rodrigues dos Santos. Entretanto é instalada a primeira cabine telefónica no quartel de Santa Comba, pagando o Estado dez escudos de aluguer. A Direção entrega-se totalmente ao apetrechamento da secção do Bairro da Estação valendo-se das verbas angariadas pela D. Luiza Albergaria na “Festa do Chá”, 475$85, ou dos donativos enviados pelos emigrantes como é o caso de Mariano Ferreira da Costa que envia do Congo Belga setecentos escudos para o cofre da Associação. em 1925 é feita a encomenda, a Rogério Vasco, morador na vila, daBomba 2, montada numa carreta, por quinhentos e cinquenta dólares. Chegará no mês de junho proveniente da Alemanha. Na própria bomba, que hoje se encontra adaptada ao veículo Ford V8, se lê: “Hermano Koebe, LuckenWalde, Feverwehrgerat-Fabrik”.

José de Lemos transacionou com a Câmara Municipal de Lisboa, por intermédio da Sociedade Fomento Comercial Lda., que desinteressadamente ofereceu os seus serviços, na compra de uma bomba sistema Flaud, com carro, picotas e chaves de parafusos. Estes materiais foram transportados dos Bombeiros Municipais de Lisboa até Santa Apolónia e no seu despacho se gastaram 63$50. Compraram 25 metros de mangueira, uma agulheta e um par de junções, à empresa Valada e Companhia Lda. Gastaram 476$50 e 11$15 de transporte.

Pagou-se a José Joaquim de Castro Júnior 101$00 pela pintura do material. A bomba, e respetivos acessórios,foi posta no quartel de Santa Comba e custou 2999$15. Foi uma compra em segunda mão de uma “bomba em perfeito estado”, ao Corpo dos Bombeiros Municipais de Lisboa. Como pudemos comprovar no Centro Documental dos Bombeiros de Lisboa, a Sociedade de Fomento Comercial solicitou, a 18 de fevereiro de 1925, a informação se aqueles Bombeiros Municipais “vendem algumas bombas de caldeira”, ao que o comando responde em 21 do mesmo mês, que possuem tal material mas que o assunto terá de ser tratado com o “ Sr. Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Lisboa”. A 28 de abril o Comandante Interino do Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa oficia em resposta ao Presidente da Comissão Executiva, “Acerca da solicitação feita no ofício da Associação dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão (…) que a bomba, sistema Flaud, que os mesmos

voluntários pretendem adquirir pode ser cedida, por venda (…). Que cada uma é no seu conjunto constituída por uma caldeira, com corpo de bomba, sobre o respetivo estrado que assenta numa carreta de duas rodas, com cabeçalho. Do guarnecimento faz parte dois corpos de chupadores e os seus acessórios são: uma chave de porcas e outra para chupadores e para mangueiras. (…) O preço estipulado pelos peritos, (…) é computado em Esc. 2.000$00”.

Esta Bomba, com a caldeira em cobre, de forma oval, terá sido construída na segunda metade do século XIX, nas oficinas dos Bombeiros Municipais de Lisboa

Em agosto é instalada a secção 2 do Bairro da Estação com uma bomba de caldeira, (Bomba 2), marca alemã, uma carreta de duas rodas, 2 agulhetas, 40 metros de mangueira de lona, quatro junções ligadas às mangueiras, cinco chaves diversas para parafusos, um maço de madeira de mão, uma rodilha para enrolar mangueira, um saca trapos, uma almotolia de lata e uma lata de massa. É feito um auto de instalação aos 23 dias do mês e tomam posse os bombeiros António Lourenço, Davide Costa, Joaquim Diniz, Salvador Rodrigues de Sá, José Arvelos, Francisco Arvelos, Luís Marques Ferreira e Alberto de Castro. O material foi testado na presença de muitos cidadãos.

Em 1928, em carta dirigida à Câmara Municipal, é comunicado que a Associação possui três bombas braçais. Este pormenor já se induz da referência ao pagamento da renda da “casa das bombas”, em Santa Comba visto que uma se encontra no Bairro da Estação. São, no mínimo, duas as que existem na secção. Serão as bombas 1 e 3. A primeira bomba será a W2, adquirida no Porto em 1918. A segunda bomba, tipo Flaud, foi adquirida, em segunda mão, aos Bombeiros de Lisboa em 1925 e a terceira será a bomba vinda da Alemanha, adquirida também em 1925. As bombas do sistema alemão permitiam a saída de duas mangueiras, o mesmo é dizer duas agulhetas. Este tipo de bomba, para além de ser mais eficaz, necessitava de maior rapidez de colocação de água na caldeira ou a colocação da bomba junto a um grande reservatório de água. As outras bombas tinham apenas a saída de uma agulheta, característica do chamado sistema francês. Nesta carta enviada à Câmara Municipal é solicitada a construção de um quartel para os Bombeiros Voluntários tendo em conta que o local onde se guarda o material de incêndio é exíguo, no momento em que a Associação pretende adquirir um pronto-socorro.

Na Assembleia Geral de 4 de março de 1928, convocada pela gerência, presidida pelo sócio mais idoso José Joaquim de Castro Júnior e secretariada por Rogério Vasco, são propostos para sócios honorários o Dr. José António Marques, bacharel formado em direito e João José da Cruz Pereira, Tenente da Guarda Republicana. São aprovadas as contas cujo saldo, na Caixa Geral de Depósitos é de 4 019$72. Procede-se à eleição dos corpos gerentes para o biénio 1928/29 cujos resultados são: para a Mesa da Assembleia Geral, foi eleito Presidente, Dr. António Rodrigues da Costa Silveira, secretário, Domingos da Costa Cerveira

do Amaral e secretário Henrique de Almeida Gonçalves. Para a Direção foram eleitos: Presidente, Dr. José António Marques, tesoureiro, Antonino Durães, secretário, Rogério Vasco, vogais, tenente José João da Cruz Pereira e Alfredo Pais de Paiva; substitutos, José Correia dos Santos, António Ferreira de Almeida e Pedro de Almeida; para o Conselho Fiscal, Dr. Alfredo Mendes de Almeida Ferrão, Dr. Francisco da Costa Borges da Gama e Dr. Luís de Oliveira Massano. Substitutos, António Correia Pinto, Manuel Cardoso e Duarte Augusto Boto Machado. A constituição dos corpos sociais eleitos em 1928 revela-nos que, finalmente, a sociedade Santacombadense abraçou a causa dos Bombeiros Voluntários. Pela primeira vez as profissões liberais, a burguesia mercantil, (já tinha acontecido no Bairro da Estação), e membros da sociedade mais conservadora uniram-se em redor dos bombeiros. De notar a presença de funcionários públicos que ocupavam os mais altos lugares da administração pública local, nalguns casos oriundos de outras localidades.

Em Assembleia foi decidido que as quotas pagas pelos associados “não chegavam para nada” e era preciso atualizar o seu montante, passando os sócios a pagar 1$00 e os sócios benfeitores 2$00. Nesta época faziam-se peditórios pelas povoações do concelho sendo os bombeiros acompanhados pela Filarmónica de Maio, cujo regente era então o Padre Mendonça.

A Direção decide que a Filarmónica de Maio, que se encontrava a passar por uma fase difícil, passará a intitular-se Banda dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão. Esta questão da Filarmónica não é pacífica, no entanto a de Maio foi incorporada na Associação dos Bombeiros Voluntários, sendo estes os fieis depositários do instrumental e dos fardamentos. O Dr. José de Melo Cabral, administrador do concelho em 1930, intimou todos os executantes da filarmónica a entregarem os fardamentos e instrumentos na Câmara Municipal tendo esse material sido transferido para os Bombeiros por ser “a entidade que tinha direitos e onde deveriam ser depositados”. As atas camarárias são omissas relativamente ao assunto em causa. Mas o Jornal “Santacombadense”, a 15 de julho, diz-nos que a Filarmónica foi reorganizada, entraram novos executantes e uniu-se com a Banda dos Bombeiros sendo o Regente, o Sr. António Augusto da Silva Pereira “estimado professor de Óvoa”.

A primeira bandeira dos Bombeiros Voluntários foi pintada pelo Sr. Dr. José Pereira, pai do tenente José João Pereira. Após sessão solene realizada no salão do Tribunal Velho foi benzida e hasteada no dia 15 de agosto de 1928, e os Bombeiros estrearam as fardas de grande gala, no dia da Festa Grande da Vila. Depois da bênção e dos discursos houve um desfile do corpo ativo pelas principais ruas da vila, com o seu novo fardamento, sendo acompanhado pela Banda de Aveiro. Procedeu-se a um peditório concelhio para a aquisição de uma autobomba e de todas as povoações chegaram donativos. Como a verba conseguida não era suficiente para a aquisição de um pronto-socorro foi adquirido um automóvel da marca Studbaker, em segunda mão, que se adaptou à condução de uma bomba, passando a denominar-se de Autobomba. Foi aprovado novo Regulamento da Corporação ao qual não tivemos acesso.

Em junho de 1929 é nomeado comandante o Tenente José João da Cruz Pereira, vogal da Direção, por o comandante em funções, Hilário Fernandes se ter ausentado para África. Um mês após a tomada de posse, houve um grande incêndio nos armazéns de José Dinis Pimenta, no Bairro da Estação. No qual foram conjugados os esforços das duas secções dos bombeiros lutaram para defender as casas vizinhas e a própria estação. Nesta época era frequente haver incêndios na resineira e nos armazéns de pez. Em Agosto, sabemos através do jornal Santacombadense, que “ está concluída a Auto-Bomba dos Bombeiros Voluntários desta vila”, “O Auto-Bomba esteve os dois dias dos festejos em exposição no Largo Alves Mateus”.

Em fevereiro de 1930 a Direção deliberou nomear comandante António Rodrigues da Costa e subcomandante Abel Marques.

A Direção decidiu que a chamada dos bombeiros e o sinal de alarme em caso de incêndio seriam feitas através de badaladas no sino da torre velha da Igreja Matriz. Foi colocado um aparelho, para evitar a subida à torre, de forma a ativar o sinal de alarme. Os sinais combinados eram os seguintes: duas badaladas repetidas é sinal de fogo na vila, para além da ribeira; três badaladas repetidas é sinal de fogo na vila para da ribeira; quatro badaladas repetidas é sinal de fogo no Bairro da Estação; cinco badaladas repetidas é sinal de fogo fora da vila e uma badalada repetida é sinal de ter terminado o fogo.

Em 28 de fevereiro de 1930 a Assembleia Geral reuniu na sala de sessões da Câmara Municipal. Procedeu-se à eleição dos corpos gerentes para o biénio 1930-1931. Para a Assembleia Geral foram eleitos para Presidente o Dr. Alfredo Mendes de Almeida Ferrão, Vice- presidente, Domingos da Costa Cerveira do Amaral, Caetano de Figueiredo Ferreira e Henrique

de Almeida Gonçalves; para a Direção foram eleitos, José Correia dos Santos, Raul Correia Horta e Vale e Antonino Durães, (reeleito para tesoureiro); foram eleitos para vogais, José Lopes da Silva e António da Conceição Lapa. São eleitos para substitutos, Aires de Almeida, José Rodrigues da Costa Lemos e José Jorge dos Santos. Para o Conselho Fiscal foi eleito Presidente, o Dr. Luís de Oliveira Massano, para Vice-presidente, o Dr. José de Mello Coelho Cabral e para secretário, o Dr. Esmeraldo Pais Prata. Para substitutos, Manuel Cardoso e Duarte Augusto Boto Machado. A Assembleia ratificou a nomeação do comandante António Rodrigues da Costa e do subcomandante Abel Marques.

A direção saída destas eleições procedeu a obras na secção nº. 1, e tentou reorganizar a secção nº. 2, do Bairro da Estação, que tinha falta de bombeiros. Foram adquiridas três mangueiras de 20 metros para equipar a autobomba e a bomba 1. Em junho a direção decidiu aceitar os instrumentos da Filarmónica de Maio e é formada uma comissão para reorganização da Filarmónica. Em agosto, Manuel da Veiga Mateus, o Padre António Alves dos Santos, António Pinho Fontes e Caetano de Figueiredo pedem o instrumental dos Bombeiros para a organização da Filarmónica desta vila, o que lhes foi cedido sob responsabilidade dos requerentes.

O corpo ativo teve trabalho apurado na noite de 21 para 22 de Dezembro de 1930. Segundo o relato do jornal Santacombadense, “um pavoroso incêndio no bairro das Lages, na casa da senhora Genoveva de Sousa Curveira …”. O incêndio teria tomado grandes proporções, não fosse a pronta resposta dos Bombeiros Voluntários que o dominaram e impediram de se propagar às casas vizinhas. A conjugação da Bomba nº1 e da Autobomba, auxiliadas por muitos populares que nestas alturas compareciam com os seus cântaros de barro cheios de água, permitiram o funcionamento ininterrupto das bombas.

Em dezembro de 1931 realizaram-se as eleições para o biénio 1932/1933.Para a Assembleia Geral foram eleitos, como presidente, Henrique de Almeida Gonçalves, e como secretários António Ferreira Onofre, Armando de Sousa Franco e Luís Benedito de Oliveira. Para a Direção foi eleito presidente, José Rodrigues da Costa Lemos, Vice-presidente, Amadeu Prata, secretário Augusto Rodrigues Coelho, sendo os vogais, José de Almeida e Manuel Maria Bento. Foram eleitos substitutos Henrique Marques da Costa, Abílio Rodrigues Rato e Duarte Augusto Boto Machado. O Conselho Fiscal ficou constituído por António de Pinho Fontes, Germano Dias Alves e Delfim Simões e Albuquerque sendo eleitos substitutos José Marques de Matos e José Mendonça Gouveia. Em fevereiro de 1932 António Rodrigues da Costa pede a demissão do cargo de comandante e entrega o comando ao comandante Abel Marques. A Direção a ordem para que o comando organize uma ambulância e uma maca que acompanhe o pronto-socorro. A ambulância poderia ter sido, na sua forma mais simples, uma caixa de madeira onde eram colocados os principais medicamentos e utensílios médicos para se poder atuar numa primeira intervenção. Em maio, em Assembleia Extraordinária é fixado o dia da Associação a seis de Novembro.

Em casa de José Rodrigues da Costa Lemos, reúne a Direção constituída por Amadeu Prata, José de Almeida, José Rodrigues Onofre e Manuel Maria Bento. É decidido que Manuel Maria Bento vai continuar a guiar o carro de materiais, pronto-socorro. Este carro era importante porque transportava as escadas e todo o restante material de sapador. A indicação de Manuel Maria Bento mostra a confiança que a direção tinha naquele empresário, que possuía uma oficina de automóveis, para a condução do pronto-socorro Studbacker. É pai de três importantes condutores do pronto-socorro Ford V8, António Maria Bento, conhecido por Tónio Maravilhas, Inocêncio Maria Bento, mais tarde dono de uma garagem oficina onde era feita a manutenção do Ford e de Manuel Maria Pinto, o Sr. Neca, que muitas vezes conduziu aquele carro.